Eu não sabia o que fazer enquanto olhava nos olhos daquele desconhecido que mantinha a mão grossa estendida na minha direção. Seus olhos azuis escuros pela noite me transmitiam uma confiança e uma segurança tão grande que cheguei a ter medo de toda essa bolha que se estava formando á minha volta.
Olhei em volta de novo e depois para o carro que estava a poucos metros de nós eu não sabia o que se estava passando comigo, mas quando vi eu já tinha a minha mão suja estendida na direção da dele para logo ele pegar nela e com cuidado me puxar para cima fazendo todo o meu corpo estremecer quando as nossas mãos se tocaram mesmo que a dele estava coberta por luvas negras brilhantes dando um ar mais sério a ele.
Fiquei tensa no momento em que eu senti seus braços nas dobras dos meus joelhos para assim me erguer em seus braços mostrando uma facilidade incrível em pegar em mim. Meus braços voaram para o pescoço dele assim que me vi colada nele procurando o seu calor corporal. Assim que o meu corpo encontrou o calor corporal que tanto desejava todo ele relaxou deixando meu corpo mole pelo esgotamento e pelas lágrimas que eu derramei durante toda a corrida.
Assim que permiti fechar os meus olhos a minha consciência pesou sabendo que no momento em que fugi deixei minha mãe sofrendo nas mãos crueis do meu pai. Quando dei por mim um soluço alto de dor rompeu o meu peito chamando a atenção do desconhecido que apertou o meu corpo contra o seu fazendo meu peito se encher de esperança e de algo mais que eu não sabia dizer o que era.
- Shiu está tudo bem pequena. Agora você está segura. - Ele sussurrou no meu ouvido e eu estremeci sentindo meu corpo relaxar novamente com a voz doce e grossa que sussurrou em meu ouvido.
Quando dei conta ele já abria a porta do lado do passageiro para eu entrar, mas ele não me colocou no chão para eu poder entrar no carro simplesmente me sentou com todo o cuidado para logo depois se afastar de mim e fechar a porta do carro.
Limpei minhas lágrimas com ambas as mãos, mas logo me arrependi quando senti os arranhões em minha pele arderem com o contacto da água dos meus olhos. Olhei minhas mãos que continham alguns ranhões que eu havia feito quando caiu e de quando eu gatinhei até ao cantinho para deixar o suposto carro passar.
Soltei um suspiro alto olhando as minhas feridas e vi o estrago que eu havia feito nelas, neguei com a cabeça e fechei as minhas mãos em punho sentindo minhas unhas se afundar em minhas palmas já feridas e gemi de dor. Ouvi um pequeno rosnado vindo do banco de trás e me virei cuidadosamente para trás por causa das minhas feridas das costas que ainda ardiam um pouco.
Fiquei um pouco assustada quando vi um enorme pastor alemão de olhos azuis olharem para mim atentamente como se se analisa cada expressão minha. Estudei atentamente o cachorro que ainda me encarava. Com alguma cautela levantei minha mão e acariciei de leve o pelo macio dele e ele se levantou de onde estava e esticou o pescoço fel peludo ficando com o focinho de encontro ao meu rosto. Ofeguei com a surpresa e logo um sorriso enorme e verdadeiro apareceu no meu rosto sem que eu conta disso e fiz um carinho no seu pescoço fofo e dei um beijo no focinho do cachorro que latiu e me lambeu deixando um rasto de baba em meu rosto. Dei uma pequena risadinha e continuei a acariciar o pelo macio do cachorro que agora estava com as patas em cima do meu colo enquanto eu acariciava sua pelo bonito.
Só reparei que não estava sozinha quando o estranho soltou uma risadinha grossa chamando a minha atenção e como se fosse automático todo o meu medo volto levando o meu primeiro sorriso embora tão rápido como ele veio.
Vi que o estranho carregou num comando em sua mão ainda vestida pelas luvas e logo os portões de aço se abriram lentamente mostrando uma imponente mansão.
Será que ele era dono daquilo tudo? Quem ele era afinal? Porque que ele tava me ajudando? Porque que ele se vestia como um mafioso?
Todas essas perguntas rodavam minha mente em busca de respostas ao qual eu não encontrava respostas. Pelo menos não agora.
Ele entrou na enorme propriedade assim que o portão imponente terminou de abrir e logo reparei que havia vários seguranças ali apostos como se houvesse um ataque momentâneo a qualquer momento, como se houvesse um perigo rodando toda aquela casa e quem vivesse dentro daquela propriedade estava a salvo.
A casa era de uma estilo londrino, 2 andares e bastante longa, havia mais de 30 janelas só da parte dianteira da casa e só as luzes da parte de baixo estavam acessas. Observei o enorme jardim bem arranjado, relva aparada e havia algumas arvores em cada canto ou esquina do jardim gigante que devia rodear toda a propriedade.
Engoli em seco quando vi que dois dos seguranças caminharam até ao carro quando ele parou perto da porta de entrada principal.
Será que ele ia me prender?
Quem seria ele?
Porque que eu aceitei entrar dentro desse carro?
O medo tomou conta de mim quando ele abriu a minha porta juntamente com a de trás para que o enorme cachorro sai-se de lá. Ele me estendeu a mão e eu hesitei olhando os dois enormes homens ali parados que me encaravam. Eles mantinham uma expressão dura e fria e vi que na cintura de ambos repousava uma arma de fogo o que fez todo o meu corpo se encolher no banco chamando assim a atenção do cachorro que esperava pela minha saída ao lado do dono.
Estremeci quando as imagens do meu pai voltaram á minha mente, minhas mãos suavam e eu termia por inteiro e isso chamou a atenção do estranho e dos seus seguranças que recuaram perante o meu medo franzindo o sobrolho quando se entreolharam.
O homem estranho se ajoelhou á minha frente tirando seu chapéu o colocando na cabeça do cachorro que não se importou e continuou na mesma posição que estava me olhando. Seus cabelos eram loiros com um corte bagunçado, barba rala, olhos azuis mar e boca levemente vermelha e me assustei um pouco quando vi que seu canto direito do olho sangrava um pouco. Com a mão tremendo passei meus dedos gelados
levemente por ali e ele gemeu de dor e estremeceu perante meu toque gelado. Uma das suas mãos tirou minha mão dali e abriu a palma da minha mão vendo os pequenos arranhões ali.
Seus dedos agora livres das luvas traçaram os meus ferimentos que doíam levemente e ele logo me olhou com um carinho evidente expresso em cada feição.
- Eu vou cuidar de você! - Sua voz era baixinha e só quem tivesse muito perto poderia ouvir sua pequena frase carregada de verdade e sinceridade.
Aquilo me suou a uma promessa.
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terça-feira, 30 de julho de 2013
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Capitulo 1
O medo espalhado por todo o meu corpo impedia das minhas pernas correrem o mais rápido possível daquela casa onde sofria. Onde eu sofria por mim, pela minha mãe e por tudo o que o meu pai nos fazia passar.
Eu corria sem parar para não sentir mais uma vez a dor de ser agredida por um pai bêbado e ver a minha mãe chorando num canto, completamente amedrontada enquanto eu era espancada pelo o meu próprio pai enquanto ele me culpava por toda a miséria que estávamos passando.
Minha vida? Quem disse que eu tinha vida!
Amigos? As pessoas fugiam de mim como eu poderia ter amigos!
Namorado? Nunca namorei na minha vida, nunca soube o que é o amor sem ser amor de mãe.
Sonhos? Já os tive, mas agora estavam perdidos numa dimensão paralela aquela que eu vivia agora.
Futuro? Será que eu ainda podia pensar num futuro com tudo o que se passava comigo? Não claro que eu não podia!
Presente? O presente era um tempo doloroso que eu fazia questão de vivê-lo sem guardar qualquer recordação.
Família? Somente minha mãe fazia parte da minha família, meu pai era somente uma peça do jogo que nós tínhamos que aguentar no nosso dia á dia.
Não sei á quanto tempo eu dou um sorriso verdadeiro ou sei o que é sentir aquele formigueiro na boca do estomago quando algo de bom nos acontece. Muito menos sei o que é um beijo apaixonado ou ser abraçada por uma amiga verdadeira.
Sonhos todos nós os temos, quem não os tem não é mesmo? Desde criança eu sonhei ser uma grande advogada e ter um marido fiel que me amasse e que me respeita-se pelo que eu sou e uma família enorme com muitos filhos e sobrinhos para eu mimar e amar. Mas sonhos são sonhos e eu aprendi isso cedo demais.
Sempre vive para ajudar os meus pais... Quer dizer minha mãe. Aos 14 anos eu já sabia que meu futuro tão desejado e feliz não passava de mais uma fantasia de uma menina que um dia soube sorrir para um novo dia e que via o mundo com uns olhos sonhadores e desejosos pelo futuro. Desde os meus 14 anos eu sabia que minha vida de princesa feliz acabava ali.
Meu pai passou a beber e a bater na minha mãe e quando ela já pedia clemência para ele parar era a minha vez de apanhar até a exaustão ou até ele se sentir satisfeito com o trabalho feito em minhas costas. Aprendi a apanhar sem chorar, berrar ou pedir para que para-se.
Eu acabava sempre por ter que ficar em casa para me recuperar e ele exigia que mesmo machucadas ele tivesse seu jantar, almoço e aperitivos todos os dias á mesa na mesma hora e se não tivesse agente apanhava de novo ou pior ficávamos sem comer enquanto ele e os seus amigos bebiam e comiam vendo partidas de futebol na televisão lá de casa. Alguns de tão bêbados que estavam acabavam sempre por tentar alguma coisa com a minha mãe, mas meu pai como um verdadeiro homem possessivo não deixava ninguém tocar na sua mulher ou na sua filhinha. Mas quem disse que isso servia de alguma coisa quando logo depois de todos irem embora a culpa era nossa por andáramos muito pouco vestidas.
Hoje foi a gota d´água para mim.
Minha mãe ela me obrigou a deixa-la para trás e fugir de casa para nunca mais voltar. Peguei nas poucas coisas que eu tinha e sai correndo sem destino. Em minha mochila carregava apenas algumas roupas, alguma comida que minha mãe me havia dado e dinheiro aquele que ela havia juntado para eu poder mais tarde ir para a faculdade.
Depois de me despedir de minha mãe e de minha tia-avó apenas corri!
Corri até todas as minhas forças ficarem esgotadas, mas mesmo assim corri, minhas pernas é que me guiavam para longe dali eu não tinha destino certo, eu só queria sair dali o mais rápido possível.
Minha respiração já saia em arquejos, minhas lágrimas rolavam e meus pés descalços ardiam pelo o esforço e pelo o solo áspero que eu calcava durante a minha corrida desesperada.
Sem mais forças acabei tropeçando e caindo em frente a um enorme portão e me deixei ali ficar. Eu estava tão cansada que eu não conseguia nem me levantar daquele chão frio e molhado. Minhas lágrimas desciam sem parar enquanto eu termia de frio e de medo contra a aquele portão de aço frio ao qual eu me encostei.
Em minha mente passavam várias formas de poder sair do país ou até mesmo de me sustentar enquanto eu estava perdida no mundo sem qualquer tipo de ideia do que eu poderia fazer da minha vida. Minha nova vida.
Minha mente estava perdida á procura de respostas para o meu problema que acabei me perdendo no tempo, mas logo despertei assim que ouvi uma buzina soar e uma luz forte me cegar. O medo pelo desconhecido percorreu todo o meu corpo me fazendo arfar de medo e mesmo sem mais forças em minhas pernas gatinhei para um canto longe do portão e me encolhi ainda mais para que a pessoa que estava ali não me fizesse mal ou que simplesmente se fosse embora.
Para meu desespero ouvi uma porta se abrindo e logo depois se fechar e o medo me trespassaram mais uma vez me fazendo encolher ainda mais enquanto as lágrimas voltavam a descer pelo meu rosto. Olhei para cima quando senti uma presença perto de mim. Assim que os meus olhos desfocados ficaram livres de lagrimas vi um homem alto, com um chapéu negro que cobria metade do seu rosto, vi que seus olhos brilhavam perante a luz fraca do local o que tornou aquele encontro muito sinistro.
Senti meu corpo estremecer quando ele se sentou nas próprias pernas e ficou me encarando como se quisesse ler minha mente simplesmente enquanto me observava com o olhar.
Olhei para os lados com medo que ele me fizesse algo e quando ele ergueu a mão soltei um grito agudo que logo abafei com as minhas próprias mãos. Meu corpo termia compulsivamente e vi que o estranho me olhava surpreendido e ao mesmo tempo confuso como se não tivesse entendido o porque do meu comportamento assustado.
- Calma... - Sua voz grossa e suave sussurrou para mim e quando olhei para as suas mãos grandes vi que suas mãos estavam cobertas por luvas de couro preto. Olhei de novo para ele com medo e ele se afastou um pouco. - Não te vou fazer mal calma. - Sua voz soou calma em meus ouvidos e eu fechei os olhos com força esperando que ele fosse embora.
Mas algo dentro de mim gritava para eu pedir ajuda, mas a minha voz simplesmente não saia estava com ela presa em minha garganta.
O medo mais uma vez me consumia e não me deixava falar, nada saia de dentro de mim, nem um som sequer. Era como se uma pedra travasse a minha fala. Queria correr mais e fugir de novo, mas algo me dizia que eu não podia que aqui estava segura. Olhei de novo para o homem á minha frente que me encarava como se se espera que eu disse-se algo.
- Pode falar garota não te vou fazer mal. - Suspirei e olhei para os lados á procura de perigo ou algo que me disse-se que ele era perigoso e que eu devia fugir. Mas algo me prendia a ele algo muito forte. - Fale... - Ele sussurrou novamente calmamente para mim.
- Por favor, me ajuda. - Sussurrei muito baixo e ele me olhou, eu vi um pequeno sorriso no canto da sua boca e eu fiquei olhando para o seu sorriso e sua beleza.
- Vem... Eu vou cuidar de você! - Ele estendeu a sua mão para mim e eu fiquei olhando sua mão grossa e com um suspiro coloquei a minha mão na sua enquanto ele me puxava contra o seu corpo.
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